Vacinação

PREVENÇÃO OU AGRESSÃO - AONDE FICA O BOM SENSO? 

 Vacinar ou não Vacinar? A quem cabe esta decisão? A prática da vacinação desde os tempos primórdios sempre foi assumida enquanto uma medida de saúde coletiva, de proteção da população contra os flagelos de epidemias. Concebida neste contexto, a vacina contra a varíola, a primeira a ser desenvolvida, passou a integrar planos governamentais de saúde pública.


Em 430 a.C. Tucídides em sua descrição da Guerra do Peloponeso ao relatar sobre a peste em Atenas menciona: Os soldados receberam cuidados apenas daqueles que já haviam tido a peste e se recuperado, pois já era de conhecimento de todos que ninguém contraía a peste uma segunda vez .Esta foi a primeira descrição precisa de imunidade específica da varíola na história da humanidade. Em 1733, escreve Voltaire sobre um velho costume Chinês do século XV da aspiração de pó obtido de pústula de lesão variólica de pacientes como método de proteção, cuja descoberta parece ter sido na Índia algum tempo antes de 1000 a.C. Utilizava-se também a inoculação de material da pústula de um doente por método de escarificação da pele de uma pessoa sã . Esta técnica, a variolização, proporcionava às pessoas adquirirem uma forma mais branda da doença, mas que em pelo menos 10% dos variolizados, complicações graves ocorriam semelhantes à forma major da doença.2

 

O médico inglês, Edward Jenner, em viagem a Turquia, observou esta prática entre a população. Voltando a Inglaterra associou a observação desta prática ao fato de que ordenhadeiras de vaca não eram acometidas pela doença quando ocorria surto de varíola nas vilas e comunidades onde viviam. Em 1796 Jenner publicou seu primeiro trabalho em que uma criança que havia sido inoculada com material de pústula de lesão do mamilo da vaca, ficou protegida quando as crianças de seu povoado foram acometidas pela varíola. Pela origem do material da vaca, em latim Vacca, recebeu o nome em inglês de vaccine, vacina em português.


Rápidamente o mundo europeu e a América tomaram conhecimento da descoberta de Jenner e na primeira década do século XIX vários países desencadearam campanhas oficiais de vacinação com grande sucesso. Foi quando Hahnemann na 6a. edição do Organon afirma:


"Esta parece ser a razão deste fato benéfico notável, que, desde a distribuição geral da vacina de Jenner, a varíola no homem nunca mais apareceu de forma tão epidêmica quanto a 40 ou 50 anos antes, quando uma cidade atingida perdia pelo menos metade, e muitas vezes três quartas partes de sua população infantil, em virtude desta peste."


Embora nenhum dos autores clássicos de matéria médica homeopática tenha se contrapôsto a vacinação ,, surgiu em meados deste século o conceito de vacinose. Este termo foi atribuido a uma série de doenças agudas e crônicas, algumas de natureza imunopatologica ou crônico degenerativas. As bases científicas da formulação deste modelo conceitual são inconsistentes mas conseguiu adeptos em diversas partes do mundo. Hoje, embora ainda persistam defensores deste modelo teórico, alguns com base na teoria miasmática, não se conseguiu demonstrar até o momento uma relação causal direta entre a prática da vacinação e o surgimento destas doenças . Podemos, no entanto reconhecer que a vacinação seja uma noxa. Algumas perguntas ficam a ser respondidas: É uma noxa até que ponto superável? Ou, até quanto desejável e mesmo até que ponto comparável a outras noxas que surgiram e continuam a surgir no final deste século?


Mais recentemente, uma série de questões vêm sendo colocadas com base na observação clínica do processo de imunização e evolução dos pacientes, em especial no acompanhamento de lactentes em pediatria. Estas questões é que são colocadas hoje como motivos à contra-indicação sistemática das vacinas, ou pelo menos a algumas vacinas.


No contexto desta discussão, objetivamente a questão se coloca em pontos negativos, pontos positivos e pontos de controvérsia que necessitam de investigação.