Argumentos dos pontos negativos

Não há na literatura homeopática trabalhos com consistência científica que repaldem estes pontos negativos colocados por alguns autores(,). Tratam-se de observações clínicas isoladas, de natureza empírica sem metodologia científica que permita conclusões generalizadas.

Entretanto, pesquisando o Index Medicus de forma sistemática com os olhos de um observador homeopata é possível encontrar evidências documentadas dos aspectos levantados.


1. As vacinas induzem a manifestações alérgicas de repetição nas vias aéreas e pele como rinites, sinusites, bronquites, dermatites e outras.

É relativamente comum entre os homeopatas, o comentário de que na prática pediátrica observa-se crianças em acompanhamento de puericultura, após receberem séries de vacinas básicas como vacina tríplice, vacina contra pólio, passam a desenvolver quadros respiratórios e de pele de natureza alérgica e ou infecciosa de repetição tipo rinites, bronquites, eczemas, dermatites e outras. Isto é, para alguns autores, estes processos mórbidos da criança são atribuídos aos processos de vacinação 8,9. Na realidade a vacina Tríplice(Contra a difteria, coqueluche e o tétano) é tida como a vilã desta história, vejamos o que pode ser verdade e o que não se pode afirmar entendendo um pouco da fabricação e a imunologia desta vacina.


Basicamente, a vacina tríplice é constituida de antígenos contra a coqueluche o tétano e a difteria. Os antígenos do tétano e da difteria são feitos a partir de toxinas produzidas pelas bactérias: Clostridium tetanii e Corynebacterium diphteriae. Estas toxinas são purificadas do caldo de cultura da bactéria, em seguida são inativadas pela formalina e posteriormente conjugadas com hidróxido de aluminio preservando a sua capacidade antigenica para formação de imunidade específica no organismo. O componente pertussis é obtido a partir do seguinte processo: o caldo de cultura da Bordetella pertussi é inativado pelo calor, o que produz a morte das bactérias e a inativação das toxinas. Em seguida é feita a separação das bactérias do meio de cultura e, como produto antigênico final temos a bactéria toda morta que será adicionada aos toxóides tetânico e diftérico para constituir a vacina tríplice DPT.


A imunidade contra pertussis é obtida a partir de três antigenos de superfície porém, um grande contingente antigênico desnecessário é administrado, ou seja, a célula inteira da bactéria. Praticamente esta técnica de produção de vacina é a mesma desde a década de 40. Uma série de estudos em animais já demonstram que a Bordetella pertussi é um indutor de aumento de IgE circulante, antígeno inespecífico ,,, Este fato, por si só, pode de certa forma tentar explicar o desencadeamento de sensibilização alérgica em crianças com terreno atópico com as consequentes manifestações citadas nas vias aéreas. Crianças de terreno atópico, podem, por outro lado, também desenvolver processos alérgicos a uma série de outros antígenos exógenos como por exemplo, leite de vaca e seus derivados ìndustrializados cuja introdução normalmente se dá próximo à faixa etária de recebimento da série básica da vacina tríplice, ou seja 2, 4 e 6 meses. Com base no conhecimento destes fatos, isto nos leva a considerar que a pertussis é um antígeno sensibilizante de IgE e que outros antígenos exógenos não podem ser excluídos na avaliação destes casos em crianças de natureza atópica. Uma nova geração de vacinas contra pertussis foi desenvolvida a partir de toxinas purificadas, a exemplo da Difteria e o Tétano, só que com uma tecnologia bem mais avançada que permite a administração de antígenos específicos. São as chamadas vacinas pertussis acelular e em diversos lugares do mundo estas vacinas já vêm substituindo as vacinas de célula inteira. Não se conhece ainda estudos sobre a capacidade de indução de IgE com esta vacina, mas teóricamente esta perspectiva parace promissora. Por outro lado, quantos aos efeitos observados empiricamente na clínica homeopática precisam ser consistentemente documentados para que se possa considerar como diretamente relacionados à vacina e não a outras causas de natureza alérgico ou infecciosas.


2. As vacinas podem induzir depressão do sistema imunológico.


Embora até o momento nenhuma evidência laboratorial pudesse ter sido encontrada em relação a alegação de que algum antígeno vacinal pudesse induzir uma imunodeficiência temporária ou definitiva e, clinicamente não se tenha casos publicados que comprovem esta afirmação, um fato ocorrido na África, de grandes proporções trouxe profundas reflexões neste tema.


"Em outubro de 1989, o Grupo Assessor do Programa Ampliado de Imunizações da Organização Mundial de Saúde recomendou a utilização rotineira da vacina Cepa Edmonston Zagreb (EZ) de título elevado, 70 a 100 vezes maior que a vacina mundialmente utilizada, a partir dos seis meses de idade, em países onde o sarampo era importante causa de óbito antes dos nove meses de idade. A recomendação baseou-se em vários estudos que mostravam que a vacina EZ de título elevado era segura e eficaz em crianças de seis meses de idade. Entretanto, a partir do início de 1991 surgiram relatos de aumento de mortalidade tardia, devida a uma série de causas(que não o sarampo), em crianças que haviam recebido a vacina EZ de título elevado antes dos nove meses de idade no Senegal e na Guiné-Bissau. O Grupo Assessor, embora mantendo a recomendação anterior, resolveu reexaminar todos os dados disponíveis a respeito da segurança e eficácia das vacinas de título elevado em crianças com menos de nove meses de idade; além disso, os dados de todos os estudos foram enviados ao Dr. Paul Fine, em Londres, que realizou uma análise estatística independente e detalhada. Finalmente, foi realizada uma reunião ampliada do Grupo Assessor, em Atlanta, em 16 e 17 de junho de 1992.


As principais conclusões da reunião foram: a) Os estudos de campo foram bem planejados e executados, o que permitiu uma análise da mortalidade tardia. b) Uma associação entre vacina contra sarampo de título elevado e aumento de mortalidade tardia foi verificada em vários dos estudos. Uma análise combinada dos estudos sugeriu um risco relativo de 1,25, o que representa uma diferença estatisticamente significante (p=0,05). c) Em sete dos estudos foi possível avaliar a relação entre sexo dos vacinados e mortalidade tardia; seis estudos apresentaram resultados indicando que o risco de mortalidade maior nos lactentes do sexo feminino. A análise combinada de estudos efetuados no Senegal e no Haiti mostrou que em meninas o risco relativo de mortalidade tardia foi de 1,8 (p>0,02). d) O fator mais importante associado à mortalidade tardia foi a dose da vacina, não tendo sido possível avaliar a influência da idade em que a vacina foi aplicada ou da cepa vacinal utilizada. e) Não foram encontradas alterações imunológicas ou de outra natureza capazes de explicar o aumento de mortalidade tardia nos vacinados. f) Um modelo matemático sugere que mesmo em comunidades com alta mortalidade por sarampo em crianças com menos de nove meses de idade, a imunização com vacinas de título elevado levaria, na melhor das hipóteses, a um benefício apenas marginal e, dependendo das circuntâncias, a um significante aumento de mortalidade.


As recomendações finais da reunião foram: a) Vacinas contra o sarampo de título elevado (70.000 DICC) não devem mais ser utilizadas em programas de imunização. b) Não sendo recomendados novos estudos de campo com vacinas contra o sarampo de título elevado. c) Entretanto, devem proseguir as pesquisas para o desenvolvimento de novas vacinas contra o sarampo que possam ser utilizadas nos primeiros meses de vida.


Uma importante lição a ser tirada desses resultados totalmente inesperados é que futuros estudos de campo para avaliar novas vacinas contra o sarampo devem ser planejados de forma a poder identificar a eventual influência dessas vacinas sobre mortalidade tardia."(,) O que nós podemos apreender, com este fato é que uma situação como a apresentada causou aumento de mortalidade por outras causas sem a identificação laboratorial de imunodepressão. Isso foi verificado somente nesta situação experimental que não é mais utilizada em nenhum lugar do mundo. Nos esquemas regulares de vacinação contra o sarampo até hoje não foi demonstrado nada parecido. Isto também até hoje não foi evidenciado com nenhuma outra vacina do esquema regular de vacinação. Uma outra lição que podemos tirar deste fato é que, pesquisas sérias são conduzidas buscando se conhecer o comportamento individual e coletivo das estratégias de vacinação e quando um erro é detectado, é reconhecido e prevalesce o objetivo maior, que é o de proteger a população. Neste caso foi ainda reconhecido que embora um benefício direto tivesse sido evidenciado que foi uma redução do morbi-mortalidade por sarampo, um risco maior pesou na balança que foi a maior taxa de morbi-mortalidade por outras causas infecciosas sendo portanto suspensa a vacinação no esquema experimental. Esta relação risco-benefício é sempre considerada por programas de vacinação.

 

3. As vacinas alteram a vitalidade da criança desencadeando quadros morbidos após a vacinação.


O primeiro grande estudo de avaliação prospectiva de efeitos adversos pós vacina tríplice foi realizado em 1981 na Califórnia,() neste estudo foi evidenciado a taxa de ocorrência de reações graves com febre extrema, convulsões, quadro de síndrome hipotônica e hiporresponsiva comparando-se crianças vacinadas com a tríplice(DPT) e crianças vacinadas com dupla (DT). Neste estudo demonstrou-se que quadro de convulsões ou síndrome hipotônico hiporresponsiva, ambas de evolução benígna, ocorreram na taxa de 1 caso para cada 1750 casos vacinados para DPT, bem mais alta que vacina dupla infantil. (Outros estudos demonstram incidência mais baixa destes eventos variando de 1/17.500 à 1/ 60.000). Entretanto, o interessante é que neste estudo existe uma citação de que também foram observadas doenças como diarréia ou gripes após a vacinação não tendo sido valorizadas pelos autores, apenas sendo registradas como observações interessantes.()


Em 1987 em Israel foi feito um estudo com 82 crianças que foram acompanhadas clinicamente um mês antes da vacinação e um mês após da vacinação. Foram então verificadas as ocorrências de febre, diarréia e tosse. Os resultados são apresentados no Gráfico 1.