Argumentos dos Pontos positivos


1. As vacinas são responsáveis pelo controle e eliminação de doenças epidêmicas graves reduzindo um grande número de mortes ou incapacidades.


A erradicação da varíola hoje é um fato. Não é preciso mais vacinar as crianças, o vírus está hoje confinado a viver em um tubo de ensaio em laboratório, não mais causando flagelos à humanidade.


O exemplo da erradicação da circulação autóctone do vírus selvagem da Poliomielite nas Américas é uma realidade no Brasil, isto está sendo obtido graças ao esforço governamental e da sociedade nos dias nacionais de vacinação contra-pólio. No Estado de São Paulo desde 1987 não há um só caso de paralisia infantil notificado, e no Brasil desde 1988.()

 

Isto ainda não aconteceu nem na Europa que teve ainda 211 casos em 1994, ano que a Organização Mundial de Saúde ainda contabilizou 6241, sendo o sudeste Asiático responsável por 4184 casos. Desde 1993 as Américas não resgistram mais casos.()

 

Desde 1988 a secretária de Estado da Saúde de São Paulo não registrou mais nenhum óbito por sarampo(). A significativa redução de casos mostram o impacto das estratégias de vacinação coordenadas em São Paulo, e o esforço do Ministério em controlar a doença com estratégia com incremento de vacinação.()

 

O mesmo tem acontecido com outras doenças como a difteria que em 1973 registrou 1054 e em 1994 somente 3() casos. Nos últimos 10 anos, o tétano neonatal reduziu de 15 casos em 84 para 1 caso em 94.()

 

2. O desenvolvimento tecnológico na produção de vacinas aumentaram a eficácia dos produtos com menor taxa de efeitos adversos.


A busca de imunobiológicos mais seguros e eficazes é uma constante no desenvolvimento dos programas de imunização no mundo. O exemplo mais importante neste sentido é o desenvolvimento da vacina pertussis acelular.


No processo de desenvolvimento desta vacina antígenos obtidos a partir da extração de toxinas da Bordetella pertussi, são inativados e purificados. Evita-se assim, a administração de antigenos desnecessários como na vacina de célula inteira. O Japão foi o pioneiro no desenvolvimento desta tecnologia e hoje, diversos laboratórios do mundo estão desenvolvendo antigenos através de engenharia genética. A Suécia, devido a sua história de suspensão da vacina tríplice e consequente epidemia de sérias consequências, é o país que reune a melhor experiência como mais amplo estudo já desenvolvido com esta vacina. Os estudos já demonstram a significativa redução na taxa de efeitos adversos e nível de eficácia satisfatório em crianças. A vacina já esta licensiada nos Estados Unidos e no Brasil já é disponível em clínicas privadas de imunização.


Pontos de controvérsia que necessitam de investigação.


1- A utilização de nósodios como agentes imunoprofiláticos


Vem de longa data a idéia de que a imunidade pode ser obtida através de nosódios. Quanto à utilização de nosódios como produtos imunoprofiláticos, as duas situações que ocorrem com frequencia são: a primeira e a que traz maior preocupação, é quando estes nosódios são colocados como uma alternativa inócua e "eficaz" em substituição aos imunobiológicos convencionais do programa de imunização; a outra é quando, durante epidemias para cujo controle não se dispõe de vacinas de eficácia reconhecida, nosódios são preparados a partir do agente patogênico e apresentados como uma medida de controle da epidemia, sem que tenham sido realizados estudos prévios que assegurem uma proteção individual e coletiva e que justifiquem sua utilização em massa. Esta última situação já ocorreu em nosso meio, durante a epidemia de meningite meningocócica dos grupos A e C na década de 70 e, mais recentemente, com a doença meningocócica do grupo B, em 1991. Um estudo publicado por Galvão e cols na década de 70 onde utilizou o Meningococcinum A e C em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, sugere resultados interessantes, mas existem falhas metodológicas no desenho do estudo que limitam a interpretação de seus resultados, o que epidemiológicamente não valida científicamente uma conclusão definitiva no assunto. A mesma situação ocorre na experiência recente em Florianópolis com o uso da vacina contra o meningococo B. Os melhores estudos de natureza imunológica disponíveis na literatura homeopática são da década de trinta; os trabalhos de Paul Chavanon, hoje se tornaram-se ultrapassados em vista do avanço tecnológico na área. Portanto, não há até o momento respaldo científico para uso destes nosódios como produtos imunoprofiláticos que possam substituir as vacinas produzidas convencionalmente a partir de culturas de vírus e bactérias, ou engenharia genética.


Mais recentemente, Poncet (1989) descreve os experimentos na Inglaterra onde English e Cols utilizaram o Pertussium CH30 em doses mensais até 12 meses, 18 meses e 6 anos em 691 casos documentados. Foi demonstrada uma proteção de 87% das crianças vacinadas, paralelamente outros autores apresentaram resultados semelhantes em estudos menores como Fox com 61 casos e 87% de proteção. Entretanto os principais autores English e Fishen são categóricos quando afirmam que estes resultados não são suficientes para se chegar a um julgamento definitivo sobre a eficácia ou não eficácia do Pertussium na profilaxia da coqueluche. Poncet concluiu em seu artigo que certas vacinas como tétano e polio são obrigatórias sob o ponto de vista não só legal, como moral e é importante discutir sua indicação, afirmam: " A proteção com bioterapia é ainda uma ilusão, ou melhor, uma utopia não há nenhum bioterápico produzido do modo homeopático capaz de substituir as vacinas convencionais. Estes bioterápicos não são inócuos podendo causar acidentes importantes."


Na verdade, a idéia de se buscar de forma consistente a utilização de nosódios como agente imunoprofilático não deve ser abandonada. Devem ser estimuladas e viabilizadas linhas de investigação no sentido de se verificar com rigor metodológico sua ação imunoprofilática, seguindo os protocolos universalmente aceitos para qualquer imunobiológico proposto como agente imunoprofilático. É importante ainda ressaltar, que, por sua natureza distinta dos imunobiológicos convencionais e para que resultados possam ser comparáveis cientificamente, será necessário o desenvolvimento de tecnologia apropriada e metodologia adequada para este fim.


2. A utilização de medicamentos homeopáticos ou vacinas dinamizadas como medida preventiva e ou terapêutica de efeitos adversos às vacinas convencionais


Burnett criou o termo "Vaccinosis" para designar o estado de "cronicidade extrema" constatado após a vacinação. Estes sintomas são em grande parte idênticos aos descritos por Hahnemann como Sycose6

 

No primeiro momento o procedimento de escolha é Thuya, ao qual pode se acrescentar Silícea. Outros medicamentos citados são Apis, Belladona, Vaccinum, Variolinum, Malandrinum, Hepar sulplur, Kalium, Muratium, Arsenicum album são mais indicados nas complicações locais. Há também os que indicam a bioterapia correspondente como Trip Vac., Pertussinum e outros.


Entretanto, pouco existe na literatura homeopática sobre avaliação sistemática dos resultados de qualquer forma de tratamento, embora, empiricamente sejam referidos boa evolução com o uso destes bioterápicos ou medicamentos. Em nosso meio, Castro A. apresentou observação empírica genérica para o tratamento de disturbios mórbidos de natureza alérgico-infecciosas de repetição na criança em 1984-XVII Congresso Brasileiro de Homeopatia. E entretanto suas afirmações embora promissoras, não apresentam estudos de casos clínicos e análise de resultados, limitando, portanto, sua aceitabilidade enquanto documentação científica. A abordagem profilática e terapêutica de efeitos adversos à vacinação se coloca com uma linha de investigação clínica extremamente favorável à homeopatia tanto do ponto de vista metodológico como ético, uma vez que a alopatia não tem recursos neste sentido.